Papers by Rodrigo de Miranda

Resumo Ainda em Argel, o então jovem Albert Camus (1913-1960) publicara um conjunto de ensaios, i... more Resumo Ainda em Argel, o então jovem Albert Camus (1913-1960) publicara um conjunto de ensaios, intitulado Noces (Núpcias), cuja primeira edição remonta a 1938. Nesta coletânea, Camus tece uma ode à beleza através da descrição do sentimento de núpcias com o mundo-mundo este que acaba por "sempre vencer a história". No presente trabalho, investiga-se a Recepção da Antiguidade no ensaio Le Vent à Djémila (O vento em Djemila). Busca-se destacar os excertos onde o autor se vale da antiguidade como forma de suscitar o problema central do ensaio: a natureza, materialidade última da existência, posta diante da História. As ruínas de Djemila, antiga vila romana, representam o desejo de perenidade, que contrasta com um mundo implacável e absolutamente alheio aos anseios humanos de permanência. Conclui-se que a antiguidade é recepcionada como forma de oferecer a única conduta possível diante da morte: sua corajosa e obstinada aceitação.

Nuntius Antiquus, 2022
No ensaio intitulado “L’Exil d’Hélène” (“O exílio de Helena”, 1948), o artista
franco-argelino Al... more No ensaio intitulado “L’Exil d’Hélène” (“O exílio de Helena”, 1948), o artista
franco-argelino Albert Camus enuncia movimentos de luz e sombra ao estabelecer o jogo de comparações entre os gregos e o pensamento europeu de seu tempo. No presente trabalho, o objetivo é compreender o papel que o material antigo desempenha na economia geral do ensaio. O método consiste na investigação e na seleção das passagens em que o autor recepciona o material clássico, contrapondo a antiguidade ao seu tempo presente. Conclui-se que o sentido do exílio de Helena, isto é, a razão de ser da recepção dos antigos no ensaio, configura-se a partir do reconhecimento de que quando o império do espírito, conquistador de regiões, corpos e almas, expande-se a ponto de ofuscar o que quer que não esteja contido em sua vontade de sentido, Helena (metáfora para uma ampla acepção de beleza) evade do mundo. Mantendo-se o tom belicoso, a beleza está exilada.

NEARCO - Revista Eletrônica de Antiguidade e Medievo, 2022
O presente trabalho, fruto de dissertação de mestrado, apresenta e discute alguns elementos que c... more O presente trabalho, fruto de dissertação de mestrado, apresenta e discute alguns elementos que compõem a imagem de si dos agentes Creonte e Hêmon na disputa argumentativa do terceiro episódio da tragédia Antígona (442/0 a.C.), de Sófocles (496 – 406/5 a.C.). A hipótese levantada é a da mutabilidade de imagem de si projetada pelos agentes ao longo do desenvolvimento da trama. Para tanto, são analisadas as rhêseis de ambos agentes. Pelo caráter judiciário da contenda, optou-se pela utilizar como elemento norteador o conceito de êthos a partir da Retórica, de Aristóteles, marcando uma aproximação entre tragédia e retórica a partir da linguagem. Conclui-se que os agentes passam por um processo de transformação de seus éthe: Creonte passa a apresentar uma imagem que se caracteriza pela deficiência de temperança em detrimento da imagem de orador e estadista experiente no uso da palavra; Hémon, inicialmente caracterizado pela moderação, sucumbe à potência de Eros.

CODEX -- Revista de Estudos Clássicos
Para o filósofo da ciência Karl Popper, ARepública é talvez a mais esmerada monografia que já se ... more Para o filósofo da ciência Karl Popper, ARepública é talvez a mais esmerada monografia que já se escreveu sobre justiça. Nela, Platão desenvolve diversos entendimentos sobre o conceito, sobretudo no primeiro livro, onde nos são apresentadas as ideias falsas de justiça. Platão evita, ou negligencia, mencionar a noção corrente em seu tempo, isto é, a igualdade perante a lei (ἰσονομία). Segundo Popper, esta negligência é explicável pelo fato de o estado ideal representar o que viria a ser o estado totalitário. Contudo, através de uma análise minuciosa do livro A sociedade aberta e seus inimigos,podemos perceber que o maior interesse de Popper talvez não seja a noção de igualdade, mas sim a presumida crítica de Platão ao que chama de “individualismo altruísta”. O presente artigo, portanto, tem por objetivo analisar a pertinência da interpretação popperiana do conceito de justiça em Platão a partir do primeiro livro d’ARepública.
CALÍOPE: Presença Clássica
Através da análise do drama Antígona (442-1 a.C.), do poeta Sófocles (497/6-406 a.C.), o objetivo... more Através da análise do drama Antígona (442-1 a.C.), do poeta Sófocles (497/6-406 a.C.), o objetivo do presente escrito é identificar quais são as reações à morte das agentes dramáticas mulheres (Antígona, Ismene e Eurídice) e verificar como o poeta representa o feminino em seu teatro através de três formas distintas de luto. Nosso método consiste na análise de excertos selecionados – no idioma original, em grego, e em traduções em português e inglês – e previamente justificados, bem como na apresentação da literatura acadêmica pertinente ao tema. Ao final, concluímos com o levantamento de uma hipótese sobre a relação paradoxal entre dois desejos da personagem homônima: a saber, o de velar pela família e, por outro lado, seu anseio por uma morte gloriosa.
CALÍOPE: Presença Clássica, 2021
Através da análise do drama Antígona (442-1 a.C.), do poeta Sófocles (497/6-406 a.C.), o objetivo... more Através da análise do drama Antígona (442-1 a.C.), do poeta Sófocles (497/6-406 a.C.), o objetivo do presente escrito é identificar quais são as reações à morte das agentes dramáticas mulheres (Antígona, Ismene e Eurídice) e verificar como o poeta representa o feminino em seu teatro através de três formas distintas de luto. Nosso método consiste na análise de excertos selecionados – no idioma original, em grego, e em traduções em português e inglês – e previamente justificados, bem como na apresentação da literatura acadêmica pertinente ao tema. Ao final, concluímos com o levantamento de uma hipótese sobre a relação paradoxal entre dois desejos da personagem homônima: a saber, o de velar pela família e, por outro lado, seu anseio por uma morte gloriosa.

Codex: Revista de Estudos Clássicos, 2018
Para o filósofo da ciência Karl Popper, ARepública é talvez a mais esmerada monografia que já se ... more Para o filósofo da ciência Karl Popper, ARepública é talvez a mais esmerada monografia que já se escreveu sobre justiça. Nela, Platão desenvolve diversos entendimentos sobre o conceito, sobretudo no primeiro livro, onde nos são apresentadas as ideias falsas de justiça. Platão evita, ou negligencia, mencionar a noção corrente em seu tempo, isto é, a igualdade perante a lei (ἰσονομία). Segundo Popper, esta negligência é explicável pelo fato de o estado ideal representar o que viria a ser o estado totalitário. Contudo, através de uma análise minuciosa do livro A sociedade aberta e seus inimigos,podemos perceber que o maior interesse de Popper talvez não seja a noção de igualdade, mas sim a presumida crítica de Platão ao que chama de “individualismo altruísta”. O presente artigo, portanto, tem por objetivo analisar a pertinência da interpretação popperiana do conceito de justiça em Platão a partir do primeiro livro d’ARepública.
Books by Rodrigo de Miranda
Scholae: estudos interdisciplinares da antiguidade, 2020
Nos últimos dois milênios, o drama de Sófocles foi celebrado com genuíno entusiasmo pelos estudio... more Nos últimos dois milênios, o drama de Sófocles foi celebrado com genuíno entusiasmo pelos estudiosos dos mais variados campos do conhecimento. Dos estudos clássicos ao direito, passando pela psicanálise clínica freudiana, o poeta de Colono foi lido e sua produção ressignificada ao longo do tempo. A partir do movimento convencionalmente denominado linguistic turn, a prática historiográfica passou a se permitir aproximações de conceitos e abordagens dos campos de investigações ligados à linguística, como a retórica e a análise de discurso. Neste escrito, meu objetivo é empreender uma investigação sobre como duas
das agentes do drama Antígona projetam uma imagem de si em seus discursos a partir do prólogo.
Thesis Chapters by Rodrigo de Miranda

Através da análise do drama trágico Antígone do poeta Sófocles, o que se pretende é identificar q... more Através da análise do drama trágico Antígone do poeta Sófocles, o que se pretende é identificar quais são as reações à morte das personagens femininas (Antígone, Ismene e Eurídice). O presente trabalho, portanto, se divide em introdução, três capítulos autônomos e o desfecho. Na introdução, discuto o conceito de clássico no mundo contemporâneo e a pertinência do estudo da tragédia para compreender melhor o papel da mulher na sociedade grega. No primeiro capitulo, procuro comentar aspectos da vida de Sófocles para melhor situar a tragédia ora analisada em seu contexto histórico particular, bem como apresentar a trama encenada como um desfecho do mito dos labdácidas e tecer considerações sobre a representação trágica e o herói. No segundo capítulo, procuro apresentar elementos trazidos pela historiografia especializada a respeito da experiência da morte na Grécia antiga, com particular interesse no século V. a.e.c. No terceiro capítulo, procuro analisar o lamento e a reação à morte das três mulheres da peça, a fim de verificar se o comportamento das personagens tem alguma relação com o lamento das mulheres "reais" que as fontes antigas nos apresentam. Já na conclusão, sugiro a possibilidade de identificar no comportamento de Antígone uma espécie de virtude característica e paradoxal: por um lado, evidencia elementos que a ligam à esfera do oikos em relação ao comprometimento com a família em detrimento, até mesmo, da própria vida; por outro, apresenta traços de performatividade masculina ao lhe atribuírem predicados genuinamente considerados dos homens no mundo antigo.

Na presente dissertação, foi utilizado um instrumento comum à retórica aristotélica e à análise d... more Na presente dissertação, foi utilizado um instrumento comum à retórica aristotélica e à análise de discurso moderna a fim de que se pudesse apresentar algumas
possibilidades de leitura sobre a construção caracterológica dos agentes dramáticos sofoclianos. Esta pesquisa consiste na elaboração de uma investigação sobre a construção dos éthe no drama Antígona (442-1 a.C.), de Sófocles (497/6-406/5 a.C).
O objetivo é identificar quais são os éthe possíveis no teatro sofocliano em sua historicidade a partir das disputas agônicas entre os agentes dramáticos. Dessa
forma, se levanta a hipótese da impossibilidade de se estabelecer uma imagem caracterológica única dos agentes, porque o êthos, como bem entendido por
Aristóteles, se desenvolve, precisamente, no momento da fala. Conclui-se que uma leitura holística do êthos de cada agente dramático não dá conta de compreender a
construção multifacetada das personagens de Sófocles: dito de outro modo, entende-se que não é possível descrever apenas uma imagem de si das personagens que compreenda o desenvolvimento completo do drama, sendo necessário que se examine cada evento/episódio em particular. Quanto aos recortes escolhidos, se deu preferência as rhêseis nos três debates do drama: a
saber, o prólogo, que encena o diálogo entre Antígona e Ismênia; o segundo episódio, quando Antígona é confrontada por Creonte; e o terceiro episódio, onde
Hêmon busca dissuadir Creonte de sua decisão de condenar a heroína, que dá nome ao drama, à morte. Os agentes cujo êthos será atribuído são aqueles que
participam destas disputas agônicas: a saber, Antígona, Ismênia, Creonte e Hêmon.
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Papers by Rodrigo de Miranda
franco-argelino Albert Camus enuncia movimentos de luz e sombra ao estabelecer o jogo de comparações entre os gregos e o pensamento europeu de seu tempo. No presente trabalho, o objetivo é compreender o papel que o material antigo desempenha na economia geral do ensaio. O método consiste na investigação e na seleção das passagens em que o autor recepciona o material clássico, contrapondo a antiguidade ao seu tempo presente. Conclui-se que o sentido do exílio de Helena, isto é, a razão de ser da recepção dos antigos no ensaio, configura-se a partir do reconhecimento de que quando o império do espírito, conquistador de regiões, corpos e almas, expande-se a ponto de ofuscar o que quer que não esteja contido em sua vontade de sentido, Helena (metáfora para uma ampla acepção de beleza) evade do mundo. Mantendo-se o tom belicoso, a beleza está exilada.
Books by Rodrigo de Miranda
das agentes do drama Antígona projetam uma imagem de si em seus discursos a partir do prólogo.
Thesis Chapters by Rodrigo de Miranda
possibilidades de leitura sobre a construção caracterológica dos agentes dramáticos sofoclianos. Esta pesquisa consiste na elaboração de uma investigação sobre a construção dos éthe no drama Antígona (442-1 a.C.), de Sófocles (497/6-406/5 a.C).
O objetivo é identificar quais são os éthe possíveis no teatro sofocliano em sua historicidade a partir das disputas agônicas entre os agentes dramáticos. Dessa
forma, se levanta a hipótese da impossibilidade de se estabelecer uma imagem caracterológica única dos agentes, porque o êthos, como bem entendido por
Aristóteles, se desenvolve, precisamente, no momento da fala. Conclui-se que uma leitura holística do êthos de cada agente dramático não dá conta de compreender a
construção multifacetada das personagens de Sófocles: dito de outro modo, entende-se que não é possível descrever apenas uma imagem de si das personagens que compreenda o desenvolvimento completo do drama, sendo necessário que se examine cada evento/episódio em particular. Quanto aos recortes escolhidos, se deu preferência as rhêseis nos três debates do drama: a
saber, o prólogo, que encena o diálogo entre Antígona e Ismênia; o segundo episódio, quando Antígona é confrontada por Creonte; e o terceiro episódio, onde
Hêmon busca dissuadir Creonte de sua decisão de condenar a heroína, que dá nome ao drama, à morte. Os agentes cujo êthos será atribuído são aqueles que
participam destas disputas agônicas: a saber, Antígona, Ismênia, Creonte e Hêmon.